sábado, 26 de junho de 2010

Mão

Ponho-me frente ao papel
Tinta naquim querendo escapar
Mas a mão que conduz a pena
Pulsa e não obedece
Uma tentativa, escrever
Na folha vazia, repousar
Mas a mão que conduz a pena
Treme e não padece
Uma tentativa, preencher
Com versos insosos, acalmar
A mão, e a pena, uma vingança
Deste vazio, que não abandona
Sim, o mesmo, de anos atrás
Que comandava a mão
Obrigava e torturava
Libertando os sentimentos
Que, à flor da pele
Lanhavam a derme
Sangrava, doia, supurava
E assim o vazio se esvaía
Mas agora, a teimosa mão
Toca, afaga, aperta
Apoia, segura e agarra
Cada sopro de vida
E larga a pena por que essa,
Essa so traz o que o vento facilmente leva

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